Nunca fui disso, mas pelo fato de estar sozinho, longe da minha família pela primeira vez em 35 anos de vida, posso dizer que está sendo uma experiência bacana.
Me sinto fortalecido, e começo a enxergar as pessoas próximas com um certo ar de quem realmente se mostra como verdadeiro e quem está nessa comigo só pra "tirar uma casquinha", se promover ou me ferrar e sair dando risada. Lógico, se estivesse com minha família, nem estaria pensando nisso. Mas está está sendo bom, enxergar certas coisas.
Um balanço da minha própria ingenuidade depois de velho... é estranho, mas ao mesmo tempo interessante. É engraçado.
Posso sorrir e entender, posso pensar que a ingenuidade mesmo quase aos 40, é algo que nos faz verdadeiros, que nos deixa à mercê de pessoas que sejam bem intencionadas, e também das mal intencionadas.
Estou começando aprender a separar essas coisas, e vejo que terei bastante dificuldade para o ano de 2012.
Não por achar que há pessoas do bem e do mal perto mim, mas apenas pela minha real falta de entendimento de certas coisas que considero estupidez e insensatez mas ao mesmo tempo tentando entender as atitudes e o discurso de quem se diz do bem mas fazendo aos outros coisas "pequenamente" do mal.
E o mal que eu considero do mal, essas pessoas tem argumentos tão fortes que se dizem do bem, que eu confesso, em algum momento fico em dúvida se a minha própria bondade não está errada.
Ah! 2012!! Vai ser mais um ano de aprender, a engantinhar no mar de falsidade e hipocrisia da tal sociedade, sobretudo a burguesa. Que fala uma coisa e faz outra, que diz acreditar em algo mas prefere se precaver por de trás da sua infinita autodefesa materialista.
Há sujeitos e damas que valem a pena, graças a Deus (embora hoje eu seja ateu). E nessas pessoas eu me apego. E tento passar momentos etilicamente alegres e descontraídos, porque apesar da identificação mútua da nossa suposta serenidade e equilíbrio, devo ressaltar que todos nós nos sentimos parte da parte podre. E no fim, o que sobra é um limiar muito sensível entre querer ser alguém, tentar ser alguém, e ser efetivamente alguém.
Se eu tivesse que desejar algo para o ano novo, para todos, seria definitivamente que você encontre o seu verdadeiro alguém, e, que tenha a felicidade de gostar desse seu alguém, e, que faça esse seu alguém fazer o bem à qualquer outro alguém, sem em nenhum momento, mesmo que tenha sido com boa intenção, machucar alguém.
Creio que no fundo de cada um, há o real desejo de si mesmo para sua própria vida, esse desejo em algum momento irá machucar outro alguém, seja em qualquer parte da vida, no amor, no trabalho, na amizade, na família... sempre tem algo que vai machucar alguém.
Peço a todos que tenham cuidado com isso... e tentaremos assim, ter um 2012 mais, no mínimo, coerente.
Vamos nos conhecer, e vamos nos respeitar.
Para 2012. O melhor. Para todos.
Incrível isso: a capacidade das pessoas. fez-me lembrar algo que li recentemente:
ResponderExcluir"O sonho daqueles que sonham diz respeito àqueles que não sonham. Por que isso lhes diz respeito? Porque sempre que há o sonho do outro, há perigo. O sonho das pessoas é sempre
um sonho devorador, que ameaça nos engolir. Que os outros sonhem é algo perigoso. O sonho é uma terrível vontade de potência. Cada um de nós é
mais ou menos vítima do sonho dos outros. Mesmo quando se trata da jovem mais graciosa, ela é uma terrível devoradora, não por sua alma, mas
por seus sonhos. Desconfiem do sonho do outro, porque se vocês forem apanhados no sonho do outro, estarão em maus lençóis."
Vincente Minnell
in: O ato de criação - Gilles Deleuze