quinta-feira, 23 de junho de 2011

Insanidade de uma sociedade, tensões em busca do mesmo.


A princípio muitos buscam o mesmo; que os indivíduos vivam em uma sociedade justa e harmônica, garantindo a todos, direitos e deveres equivalentes, isso saciará as expectativas individuais?
Será possível um mundo em harmonia social, onde o conhecimento e desenvolvimento cientifico sejam utilizados somente pelo bem e para o bem da sociedade?
As divergências sobre direitos e deveres dos indivíduos e do estado; das causas das desigualdades sociais; da influência da metafísica nas relações sociais; do entendimento da influência das diferenças das capacidades físicas, intelectuais ou espirituais dos indivíduos no contexto social; dos meios utilizados para a geração e distribuição da renda, do acúmulo de capital, do poder ou das paixões; devem promover profundas e profícuas discussões no campo das idéias proporcionando soluções adequadas para as questões sociais; ou substituídas, as discussões, por calorosas disputas ideológicas onde dificilmente gera-se algo de proveitoso, retardando medidas que possibilitem soluções reais, rápidas e eficientes em relação às desigualdades e necessidades sociais dos indivíduos?
As medidas paliativas são de interesses dos populistas, falsos salvadores, que na verdade visam sua auto-promoção e o poder, a qualquer custo; com propostas para a solução dos problemas, sempre simplistas, inconseqüentes, irreais, de impossível implementação. As esmolas, as festas ou benefícios a indivíduos e principalmente a líderes comunitários ou de classe são armas eficientes, como também a propaganda enganosa; lutam para que suas verdades sejam a verdade absoluta, não aceitando questionamentos, sendo os verdadeiros redentores dos desafortunados e injustiçados?
O que realmente a maioria dos indivíduos, qualquer que seja sua ideologia, sabe de uma sociedade ou faz para a harmonia social; que atividades benéficas à sociedade ele desenvolve, o que ele defende para a sociedade e como ele realmente vive, em família e na sociedade; ele realmente sabe o que a sociedade precisa, ele conhece a sociedade, ele estuda a sociedade?
A educação para todos os indivíduos, adequada, consistente, sem viés ideológico; o acesso a informação com as reais condições e situações das questões sociais; a fiscalização ininterrupta, rígida e justa, por parte dos indivíduos e dos órgãos fiscalizadores constituídos, às atividades das entidades públicas e privadas, denunciando irregularidades e atividades que agridam os direitos dos indivíduos e a sociedade; cobrar que os indivíduos cumpram seus deveres, são atividades que ajudariam a erradicar as desigualdades sociais?
Se o saber for o fator determinante, com valor maior que o do poder econômico; se o indivíduo for valorizado por seu saber e não pelo que tem ou pela força que tenha; se o individuo se impor por seus atos justos, éticos e sábios; se os indivíduos tiverem educação, informação e conhecimento suficientes para saber discernir entre o justo e o injusto, podem impedir qualquer tentativa de um individuo ou grupo social de se utilizar dos conhecimentos  e do carisma contra a harmonia social, em proveito próprio ou por poder; a sociedade seria eficiente e justa?
A vida em sociedade é ter um compromisso com o outro; é ter responsabilidade social, que não é ajudar ou dar esmola, mais sim proporcionar a parte justa a cada indivíduo, ser justo; ser justo é fazer o bem, é ser ético, é cumprir com seus deveres, é manter a ordem necessária ao bom desenvolvimento social e bem estar de cada indivíduo?
A unanimidade é burra, a inconformação e a indignação promovem a discussão levando ao aprimoramento do saber, que incrementa o desenvolvimento da sociedade e o bem-estar do indivíduo.
      Cuiabá, 10/06/2011               Antonio da Paz Rosa Filho

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sobre a Meritocracia

Conversando com uma amiga, em um assunto que defendia um salário mais justo para bombeiros, soldados do Bope e professores, eu levantei a minha certeza de que a meritocracia é a mãe de todas as desigualdades.

Ela  discordou de mim, defendeu a educação como a única salvação do povo brasileiro, e  julgou injusto da minha parte descrever como "pobrezinhos" e "coitadinhos" a classe menos abastada,  sugeriu mediocridade sociológica achar que meritocracia gera desigualdades.

No final, ela diz que a meritocracia é um meio justo de se desenvolver a sociedade.

Trecho final da posição dela:

"Eu defendo que só há evolução através da educação,só ela pode salvar nosso povo. É muito injusto chamar o povo de coitadinho, oprimido, pobrezinho etc etc. Temos que mudar essa visão e empenhar cada um do povo a buscar seu crescimento, tenho certeza que a meritocracia é bem mais justa vista por esse angulo."

Considerando positiva toda a parte da defesa da educação, eu me salvaguardo abaixo,  apenas a me deter à idéia sobre meritocracia.

Eu, creio que ela nunca é, nunca foi e nunca será justa. Se a meritocracia é sinônimo de igualdade, basta que esse bombeiro que ganha tão mal, se torne um médico. Ele será melhor remunerado.

Defender a meritocracia é tão simples quanto apoiar um político corrupto, usando o velho jargão "rouba mas faz".

Ambos fazem mal a sociedade.

Isso é fácil de se demonstrar, vejamos na iniciativa privada:

Pergunta simples, sem envolver política, apenas envolvendo os nobres cidadãos da sociedade:

Por que um médico é tão bem remunerado(pela sociedade) e um professor não?

Ah! Pelos méritos de cada um deles... logo, não existe desigualdade.

Ponto.

Agora quando partimos para a esfera pública, a coisa fica ainda mais feia, encontramos cada um querendo defender seu próprio interesse usando o falso argumento de estar buscando o melhor para a maioria.

E eu pergunto, por que um PM ganha tão mal, e um juiz tão bem?

Ah! pelos méritos de cada um deles. Logo, não existe desigualdade.

Agora sim, problematizado, temos um caso sociológico, onde não há discussão sobre quem ganha mais ou quem ganha menos.

Cada um que se forme, estude e conquiste seu nível social por seus méritos e pronto.

Isso não tem a ver com "pobrezinhos" ou "coitadinhos", isso é justo. E ponto final.

Quem mandou o bombeiro não estudar? Não é mesmo?

No meu estudo, a análise sociológica e científica, tem a obrigação de ir além de uma visão simplista como essa, acima colocada. E o ângulo de visão, precisa ser muito maior do que esse focado em diferenças de classe, ou de ganhos, por exemplo.

Concordo quando se diz que o fator cultural atrapalha. Ele atrapalha um pouco as soluções mais complexas porém, é importante registrar, que quando falamos em cultura, falamos de um modo geral, em todas as esferas de poder, e em todas as  classes sociais. Todos somos reflexo da cultura que nos moldou socialmente.

Se você perceber com cuidado, poderá ver a tal cultura ali arraigada em você, e portanto, não se trata apenas dos tais "pobrezinhos" e "coitadinhos", sendo defendidos por um suposto sociopata.

Mas é uma exposição de todo o entendimento claro, sobre desigualdades em todos os níveis sócio-econômicos.

E aí a meritocracia aparece como vilã, sim. Comprovado cientificamente, e, historicamente. Ela jamais poderá ser sinônimo de igualdade.

Afinal, um político corrupto ser eleito pelo povo e com grande maioria dos votos, pode ser pra ele um grande mérito.

Em quem vai julgar o mérito de quem?

E aí começa tudo de novo, essa discussão cíclica, de quem é mais isso ou quem é mais aquilo, e quem merece mais isto e quem merece menos aquilo.

Que não leva nada. E apesar de todo o mérito, as desigualdades seguem de vento em popa!

Discurso demagogo e falso + analfabetismo político = democracídio.

O que vejo em política hoje, é sempre a mesma coisa.

Um discurso demagogo, falso e persuasivo.
Um povo analfabeto político, pobre e sedento.

Divisão de classes, eu até que suporto. Mas a desigualdade é muito grande.
A diferença entre a classe dominante e a base humana por onde ela pisa quando
segue em frente, é cruel.

E ela caminha em cima disso tudo, como se fosse em um tapete de asfalto. Ela passa dirigindo seus carros e sem reparar a paisagem pela janela.

O bem da propriedade, a valorização do material e o empenho no concreto, não
permite abstração do suposto empirismo,  vulgar, que gera toda a probreza da maioria e devolve em riqueza para minoria.

E está claro pra quem quiser ver, que a minoria governa pra si. Eleita pela maioria, Oh! que legal! porém para defender os interesses da  minoria. Denominado "democracídio".

Isso tudo é tão evidente quanto nossas reuniões regadas à caviar e vinhos importados.

O que é muito bom de saborear por sinal.

Mas traz consigo inevitavelmente, aquela velha e conhecida ressaca moral no dia seguinte.

Sobre o desmatamento.

A natureza humana é cíclica, e vem melhorando evolutivamente.

Tenho visto aqueles mais próximos como mais inteligentes a cada nova geração.

Partindo do meu avô, meu pai, eu, e agora meu filho. A inteligência tem vindo mais e melhor a cada novo ser que vem habitar este planeta. E acho isso um fenômeno natural.

E falando em natureza...

Eu acho que tem que desmatar mesmo! Tem que desmatar tudo. Extrair tudo. Consumir tudo.

A única coisa que vai mudar com isso, é a forma do ser humano sobreviver.

Ele vai acabar se adaptando... nem me preocupo com isso.

Pode até passar por uma fase de sofrimento... Quem sabe, ou talvez nem chegue a isso, pois a tecnologia atualmente anda mais rápido.

A tecnologia vai evoluir sempre no sentido de manter a espécie e garantir a sobrevivência.

O problema da humanidade não é o desmatamento, ou o efeito estufa... o tal aquecimento global.

Acredito que a fome hoje mata muito mais, e daqui há um século ainda estará matando muito mais do que qualquer um desses famosos "vilões" globais, que sugerem um "mal" à humanidade no futuro. Que futuro?

A preocupação do ser humano com o lado humano deve ir muito além da preocupação do indivíduo com o mundo em que ele vive.

Mostrar-se preocupado com causas ambientais e efeitos colaterais dos meios de desenvolvimento urbano, tecnológico e etc, pra mim não passa de um disfarce do descaso com os verdadeiros problemas da humanidade, que eu vejo no mínimo esforço de união em busca de amor e harmonia entre os seus habitantes. 
Solidariedade gratuita.

Talvez desejar essa harmonia entre os seres humanos seja tão utópico quanto o desenvolvimento gobal ser freado, brecado ou impedido pelo esforço dos
tais cidadãos preocupados com o "bem" do Mundo.


As gerações futuras virão para constatar quais foram os verdadeiros males causados pelo Homem ao planeta. E essas gerações estarão adaptadas à nova realidade deixada
pelos seus antepassados, sobreviverão à base de tecnologia, de comida industrializada, de qualquer coisa processada, ou seja lá como ainda estiverem
extraindo o que restar de vida da natureza. Mas será que até lá, já entenderão que o maior esforço pelo bem estar de todos, é a dedicação pelo bem estar do próximo?

Será que os que atacam fortemente o sistema global e capitalista, não agem no seu dia-a-dia de forma simplista diante das mazelas dessa fatia da sociedade que 
verdadeiramente sofre com o sistema?

Este texto não é uma crítica, pois não me cabe enquanto leigo. É apenas uma reflexão minha, própria, narrada em primeira pessoa. E só pra mim mesmo.

Qual a razão de cuidar do planeta, quando o bem que se sugere proporcionar é apenas o individual? Qual a razão de se ter uma bela sala de estar se não temos verdadeiros amigos para receber e compartilhar? Qual a razão de não ser amado e não receber carinho e respeito de todos a despeito de "ter uma vida melhor"...?

Qual a razão de um planeta lindo e preservado, se nunca será bem aproveitado por todos?

Ah! Mas se é pra minoria? Então que ele se acabe logo! O quanto antes!

Te apresento você.

"o ser humano é muito grosseiro pra entender conceitos fora do seu alcance como liberdade, eternidade, plenitude."


Sou obrigado mais uma vez a concordar com um desconhecido chamado Eduardo Marinho, do qual não conheço nada além de dois vídeos postados na internet.

Apesar de grotesco e aparentemente infundado em seu discurso, devo concordar que a realidade nua e crua amedronta qualquer pessoa. E por isso todos fogem o tempo todo da sua própria realidade apesar de afirmar estar vivendo sua vida.


A pessoa nem explica o que é a sua própria vida, nem sabe o motivo de dormir e acordar todo dia. Nem por que precisa comer. Assuntos tão cotidianos e tão inexplicáveis para qualquer um de nós.


E vai se basear em ciência? Em Religião? Em experiências?


Oras, se a própria existência não se explica, e as coisas mais simples como dormir e comer não podem ser justificadas pra si mesmo, como então qualquer sociedade definir valores? Leis, regras, posturas... em função de que e de quem?


O sujeito já nasce com obrigações, costumes, necessidades que lhe impõem de imediato... e ele cresce nesse meio onde tudo precisa ser do jeito que é porque é assim que é, e é assim que tem que ser.

Inventam um modelo de felicidade baseado em preenchimento de necessidades que lhe foram impostos, definidos por todo mundo, menos por si próprio. E assim, a vida segue em uma correria desgraçada para fugir do "não ser feliz"... e gasta-se energia, raciocínio, esforço físico e principalmente os dias e as as noites fugindo de não ter isso, não ter aquilo, de precisar não sei do que,  querer algo que supostamente todos queriam ter, ou algo igual não sei de quem, ou algo pra preencher o vazio que a falta da verdadeira realidade em sua vida lhe faz.


Eu também não sei qual é a verdadeira realidade em que um ser humano possa sobreviver aproveitando o empirismo e a abstração de forma proveitosa e menos nociva à sua existência. Mas sei que da forma como o indivíduo tem feito seus dias e noites baseado única e exclusivamente no que lhe foi apresentado pronto,
imposto e vendido até hoje, não me agrada. O preço é caro demais e fere diretamente o conceito de dignidade.

Todavia, se já me pus a pensar, já começo a sentir um grande alívio na alma, e surgem os primeiros lampejos de idéias, surgem pensamentos que posso considerar válidos para um princípio de amenização desse caos e dessa neo existência sugerida como ideal para um ser humano nas condições em que o mundo e os semelhantes definem cada um pra si, porém, nunca cada um por si. Ou melhor ainda seria cada um pelo outro.

E a pergunta é apenas uma: Você viveria pelo outro? E morreria pelo outro?