Conversando com uma amiga, em um assunto que defendia um salário mais justo para bombeiros, soldados do Bope e professores, eu levantei a minha certeza de que a meritocracia é a mãe de todas as desigualdades.
Ela discordou de mim, defendeu a educação como a única salvação do povo brasileiro, e julgou injusto da minha parte descrever como "pobrezinhos" e "coitadinhos" a classe menos abastada, sugeriu mediocridade sociológica achar que meritocracia gera desigualdades.
No final, ela diz que a meritocracia é um meio justo de se desenvolver a sociedade.
Trecho final da posição dela:
"Eu defendo que só há evolução através da educação,só ela pode salvar nosso povo. É muito injusto chamar o povo de coitadinho, oprimido, pobrezinho etc etc. Temos que mudar essa visão e empenhar cada um do povo a buscar seu crescimento, tenho certeza que a meritocracia é bem mais justa vista por esse angulo."
Considerando positiva toda a parte da defesa da educação, eu me salvaguardo abaixo, apenas a me deter à idéia sobre meritocracia.
Eu, creio que ela nunca é, nunca foi e nunca será justa. Se a meritocracia é sinônimo de igualdade, basta que esse bombeiro que ganha tão mal, se torne um médico. Ele será melhor remunerado.
Defender a meritocracia é tão simples quanto apoiar um político corrupto, usando o velho jargão "rouba mas faz".
Ambos fazem mal a sociedade.
Isso é fácil de se demonstrar, vejamos na iniciativa privada:
Pergunta simples, sem envolver política, apenas envolvendo os nobres cidadãos da sociedade:
Por que um médico é tão bem remunerado(pela sociedade) e um professor não?
Ah! Pelos méritos de cada um deles... logo, não existe desigualdade.
Ponto.
Agora quando partimos para a esfera pública, a coisa fica ainda mais feia, encontramos cada um querendo defender seu próprio interesse usando o falso argumento de estar buscando o melhor para a maioria.
E eu pergunto, por que um PM ganha tão mal, e um juiz tão bem?
Ah! pelos méritos de cada um deles. Logo, não existe desigualdade.
Agora sim, problematizado, temos um caso sociológico, onde não há discussão sobre quem ganha mais ou quem ganha menos.
Cada um que se forme, estude e conquiste seu nível social por seus méritos e pronto.
Isso não tem a ver com "pobrezinhos" ou "coitadinhos", isso é justo. E ponto final.
Quem mandou o bombeiro não estudar? Não é mesmo?
No meu estudo, a análise sociológica e científica, tem a obrigação de ir além de uma visão simplista como essa, acima colocada. E o ângulo de visão, precisa ser muito maior do que esse focado em diferenças de classe, ou de ganhos, por exemplo.
Concordo quando se diz que o fator cultural atrapalha. Ele atrapalha um pouco as soluções mais complexas porém, é importante registrar, que quando falamos em cultura, falamos de um modo geral, em todas as esferas de poder, e em todas as classes sociais. Todos somos reflexo da cultura que nos moldou socialmente.
Se você perceber com cuidado, poderá ver a tal cultura ali arraigada em você, e portanto, não se trata apenas dos tais "pobrezinhos" e "coitadinhos", sendo defendidos por um suposto sociopata.
Mas é uma exposição de todo o entendimento claro, sobre desigualdades em todos os níveis sócio-econômicos.
E aí a meritocracia aparece como vilã, sim. Comprovado cientificamente, e, historicamente. Ela jamais poderá ser sinônimo de igualdade.
Afinal, um político corrupto ser eleito pelo povo e com grande maioria dos votos, pode ser pra ele um grande mérito.
Em quem vai julgar o mérito de quem?
E aí começa tudo de novo, essa discussão cíclica, de quem é mais isso ou quem é mais aquilo, e quem merece mais isto e quem merece menos aquilo.
Que não leva nada. E apesar de todo o mérito, as desigualdades seguem de vento em popa!
Nenhum comentário:
Postar um comentário