Me dê uma dose sanidade, porque a incerteza me move em compasso da velocidade da luz. A sua garantia de que vai viver, comer, beber, fazer amor, pra mim soa como arrogância, e tudo o que me espera daqui há um segundo é o que você menos pode materializar.
O que me preenche é oxigênio? É qualquer coisa que você imagine ser possível respirar? O que te faz abrir a boca e falar asneiras?
O que me entorpece não tem remédio.
O som, a imagem, as teorias e as constatações são tão inapropriadas, tão fugazes. A noção de tempo te deixa à beira de um fim premeditado, as minúsculas faíscas de existência te colocam à minha frente em flashes de um pesadelo, uma paz interceptada, um calor inofensivo, um gelo que me mata e me mantém.
Compilações de pressupostos discutem vagamente o que não se pode afirmar, sessões de imperfeição comprovam o que se pode afirmar sem provas, produzem divagações nocivas, improbabilidades inexistentes em falsas premissas de verdade. Imaginação é ópio.
É muito pouco o que se pode dizer, é quase nada o que se pode ver, sonhar é infantil. A propriedade é veneno. A certeza é um mal. Sentir é um luxo do século.
Em meu mundo abstrato, tenho pensamentos que me levam à momentos de extrema reflexão. A terrível certeza de que se está certo, imagino que seja o primeiro passo para o erro constante. A vida pode ser uma onda, a felicidade tende a ser quântica. A simplicidade possivelmente é invisível. O caos macroscópico se mostra permanente.
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